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IV WFE – Programação e resumos

[Todo o evento ocorrerá no Campus do Vale (Auditório do ILEA e Panthéon do IFCH). As inscrições seria abertas em breve, programe-se.]

Quarta-feira, 28/06

9:30 – Abertura do evento

10:00 – Mostra de trabalhos do PIBID Filosofia UFRGS (Mais detalhes aqui):

Feminismo e diversidade de gênero –  Eduardo Teles e Maria Carolina Gurgacz

Um convite à filosofia a partir da mitologia e sua atualidade – Gianluca Focchesatto

Filosofia como investigação no Ensino de Jovens e Adultos – Dominique Quevedo

Ética e igualdade entre humanos e animais – Alexandre Nicolini

Feminismo sob uma perspectiva filosófica – Márcia Laux, Rafaela Antunes e Marina Silva

Filosofia como disciplina obrigatória no Ensino Médio – Ronald da Costa e Tabaré Reynoso

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Quinta-feira, 29/06

10:30 – Exibição do documentário “Nunca Me Sonharam”

13:30 – Conferência

Menos Platão, Mais Hannah Arendt?

Ronai Pires da Rocha – UFSM

Um anúncio do conteúdo da fala do Prof. Ronai pode ser acessado aqui.

14:45 – Mesa RedondaFilosofia: problemas e história

Mediação: Ana Miriam Wuensch – UnB

Formação docente focada em problemas filosóficos

Kelin Valeirão – UFPel

Nesta apresentação interessa levantar algumas questões relativas ao ensino de filosofia inscritas no desejo de tentar pensar filosoficamente o ensino de filosofia via os problemas filosóficos. A questão central refere-se à problematização: Como, do interior da filosofia, ensinar a filosofia? Inicialmente, parte-se do entendimento de que não existe a concepção metodológica do ensino de filosofia. Mesmo sabendo que não há uma receita pronta e segura, nesta fala irei dissertar acerca da importância de o ensino de filosofia estar comprometido com a transposição didática. Neste processo, os problemas filosóficos assumem um papel central, pois acabam dando sentido aos próprios conteúdos curriculares da disciplina de Filosofia. Afinal, se a Filosofia busca compreender o homem e o mundo, e ainda a educação deste homem que vive no mundo, defende-se que a prática educativa inclua uma posição filosófica específica. O ensino, enquanto desejo de visibilidade do invisível, é uma das experiências em que o homem mais se aproxima da sua humanidade. Cogita-se que ensinar filosofia é permitir o encontro de cada um com o seu destino e a sua condição. Nesse sentido, a presente fala assinala a importância da formação docente estar focada em problemas filosóficos.

 

Qual História da Filosofia? Práticas e Métodos

Nastassja Saramago Pugliese – UGA/USP

A pesquisa e o ensino de história da filosofia podem ser divididas em dois campos estratégicos de reflexão: as práticas correntes e as questões metodológicas que informam tais práticas.  A prática tradicional de pesquisa e ensino de história da filosofia era, até os últimos anos, bem estabelecida e raramente posta em questão. Segundo tal prática, os temas e questões da história da filosofia são dados por uma série quase fechada de grandes autores que, começando com os Pré-Socráticos, Platão e Aristóteles, passando pela filosofia medieval cristã e pela filosofia moderna iluminista, chega à contemporaneidade (limitada ao começo do século XX) formando o que chamamos de cânone tradicional da filosofia ocidental. Tal abordagem pode ser observada nos temas da produção acadêmica presentes nos artigos científicos, em livros especializados, compêndios, dicionários, enciclopédias e materiais didáticos. As questões metodológicas que informam estas práticas tradicionais dizem respeito à hermenêutica textual e, portanto, aos critérios de análise de conceitos e dos sistemas filosóficos. Outras vezes, estas questões metodológicas discutem o peso a ser dado e os meios através dos quais incluir, na interpretação da obra, a análise de seu contexto histórico, linguístico e social. Neste trabalho iremos revisitar as práticas da pesquisa e do ensino de história da filosofia bem como as questões metodológicas tradicionais para responder as seguintes perguntas: o que é um cânone? Qual história da filosofia praticamos e podemos praticar? Quais ferramentas estão disponíveis para a o estudo das obras clássicas? A abordagem de tais questões se dará através de uma perspectiva crítica onde procuraremos mostrar os benefícios de questionarmos a nossa prática de pesquisa e ensino da história da filosofia e os métodos a partir dos quais pesquisamos as obras tradicionais.

 

17h –  Palestra

Fazendo planos para a EJA: planos de ensino, planos de aula

Rúbia Vogt – CAp/UFRGS

Em linguagem de dia de semana, “fazer planos” é projetar para o futuro, com uma marca de otimismo e de esperança: o que se planeja dará certo, será bom, trará melhorias. Que do uso do homem comum ao “fazer planos” guardam os planos – plano de ensino e plano de aula – das/os professoras/es? Nesta mesa redonda, gostaria de dialogar sobre planos de ensino e de aula na Educação de Jovens e Adultos, apontando, para além dos já conhecidos méritos dos planos, sua importância para a modalidade EJA. Algumas das perguntas que me movem para esta reflexão são: qual é o público para o qual os planos da EJA se destinam? Que conteúdos e métodos para sua abordagem requerem os planos desta modalidade? Que diferenças quanto aos objetivos guardam estes de planos para com aqueles voltados para o ensino médio regular? Que critérios e instrumentos de avaliação e estratégias de recuperação preventiva devemos pensar para a EJA e registrar em seus planos de ensino e de aula? Minha fala se apoiará em bibliografia, mas também em minha experiência na Educação de Jovens e Adultos.

 

18:30 – Minicurso

A retórica como elemento da formação docente

Edgar Lyra Neto – PUC-Rio

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Sexta-Feira, 30/06

14h – Palestra

“O lugar da Filosofia na formação básica”

Marcelo Senna Guimarães – UNIRIO

Pode parecer surpreendente a discussão sobre a presença da Filosofia nos currículos escolares. Por um lado, afirma-se que é uma disciplina difícil e abstrata, e portanto supérflua ou excessiva. Há os que a acusam de decair necessariamente numa forma de doutrinação política e moral, denunciando-a como prejudicial e danosa a sua presença nos currículos. Por outro lado, em sua defesa acorre a necessidade de formação para a autonomia, a crítica, o desenvolvimento integral do educando, termos da legislação e dos documentos oficiais. Também se argumenta que a filosofia aprofunda e amplia o que é básico na formação, seja com o ensino dos princípios da argumentação e da lógica, com a prática do pensamento que se volta sobre seu modo de pensar nos campos do conhecimento da natureza, do discurso e da ação em seus aspectos estéticos, éticos e políticos, seja ainda com a prática de coletivos de investigação e os exercícios e experiências de pensamento, onde se afirma desenvolver capacidades e atitudes básicas, relativas à cooperação, ao cuidado com os outros e com o pensamento, com a capacidade de escutar os outros e reformular suas próprias ideias por meio dos diálogos. Ao lado dessas questões, coloca-se a da obrigatoriedade da Filosofia como disciplina ou componente curricular. Que problemas são levantados por esse caráter impositivo da formação para os estudantes e da correlata condição do professor como funcionário do Estado? Esse conjunto de questões vinculadas à discussão sobre o lugar da Filosofia na formação básica, em particular nos currículos escolares, nos oferece uma demarcação de um problema a ser abordado da perspectiva de uma educação contemporânea defrontada com questões globais e locais, numa cultura atravessada por conexões virtuais e marcada pelo domínio do valor de troca. Como abordagem capaz de levar em conta esse amplo espectro da questão, examinaremos os argumentos de Martha Nussbaum (Not for Profit) e outros autores a favor de uma educação liberal e humanista, que inclua tópicos de economia, direito, relações internacionais, história; aprendizado e experiência das linguagens e das artes; e a prática do pensamento crítico e argumentativo.

 

15:15 – Mesa Redonda –

Filosofia no Ensino Médio: Perspectivas de defesa

Mediação: Andréia Meinerz – IFRS/Campus Restinga

Filosofia no Ensino Médio: Para Quê?

Jaqueline Engelmann – IFRN

A pergunta “para quê filosofia no Ensino Médio” nos remete, de imediato, à possível utilidade que esta área de conhecimento pode desempenhar. Procurar pela utilidade da filosofia – tal como procuramos pela utilidade da matemática – é inútil. Através dela não aprenderemos técnicas que possam nos ajudar a construir, criar, curar, manipular o que quer que seja. E isso acredito que a maioria das pessoas já sabe. Portanto, a pergunta “para quê? ” foi feita com outro objetivo em mente: a disciplina escolar “filosofia” existe para quê? E em função das possíveis repostas, será que ela deveria continuar a existir nos currículos escolares? Acredito na importância da pergunta pelo fato de que mais uma vez a filosofia esteve (ou ainda está?) na pauta da política brasileira, infelizmente não tanto como objeto de reflexão – ao menos não no sentido e com a qualidade que desejaria a maioria dos filósofos e docentes – mas como componente de um jogo que muito bem poderia ser chamado jogo das cadeiras. Quando os professores de filosofia pensavam que sua disciplina havia encontrado o seu lugar no currículo escolar brasileiro, ela novamente “perdeu a sua cadeira”. Perdeu por que? Será que ela não sabe se mover adequadamente ou será que a cadeira lhe foi puxada de modo sorrateiro? Para além de qualquer discurso ideológico e/ou partidário, parece a mim que a segunda opção é mais crível. Interessante é que mesmo no cenário atual da política brasileira não foi retirada a prerrogativa da filosofia de ser responsável pelo pensamento crítico, argumentativo, autônomo. O que parece estar prevalecendo no atual ideal de formação escolar no Ensino Médio é a importância da preparação para o mercado de trabalho. O espírito crítico e a autonomia são elementos deste jogo que sempre perdem. Neste cenário turvo e turbulento, a questão sobre se a filosofia deveria ser convidada a jogar ou a se retirar do jogo, poderia ser respondida também pelo seu público alvo. Por isso, perguntei a meus alunos de 1º e 3º anos se a filosofia deveria permanecer no Ensino Médio e, se sim, por quê. O apanhado destas respostas, junto de outras reflexões, poderá nos ajudar neste debate.

Filosofia: uma disciplina dispensável?

Marta Vitória de Alencar – USP

A partir da promulgação da Lei 11.684/2008, no segundo Governo Lula, a filosofia retorna à escola como disciplina obrigatória. Simultaneamente, pela criação de novas universidades públicas federais ampliou-se a oferta de cursos de formação de professores, e as pesquisas na área intensificaram-se. Recentemente, no Governo Temer, a Lei 13.415/2017 determinou a retirada da obrigatoriedade da disciplina do currículo escolar. Tal mudança impacta não só o currículo e a formação escolares, mas os programas de formação estruturados para atender a demanda das escolas brasileiras por professores e pesquisadores em ensino de filosofia. Nos documentos oficiais do MEC, ainda que de modo não exclusivo, tem sido atribuída à filosofia a tarefa de desenvolver criticidade e pensamento autônomo. Para além das circunstâncias e aparentes motivações políticas, marcadas por períodos democráticos e de exceção no país, e que têm determinado a presença ou ausência da filosofia na escola, parece ser relevante analisar se há algo na própria filosofia que colaboraria para essa existência efêmera no currículo escolar brasileiro. Seria possível compreender as causas da transitoriedade da filosofia na escola a partir dela mesma? Haveria algo próprio à filosofia que a tornaria disciplina dispensável no currículo escolar brasileiro? Essa instabilidade, que impede a consolidação e acumulação de experiências de ensino de filosofia, não só aprofunda a necessidade do debate sobre o caráter e finalidade do ensino de filosofia nas escolas, mas também a discussão sobre o valor da filosofia no país, que atualmente tem a segunda maior comunidade filosófica do mundo.

17h – Palestra

A formação de professores no cenário atual da educação brasileira

Sérgio Roberto Kieling Franco – UFRGS

Resumo:

Quando se discute os problemas da educação brasileira sempre surge, como um dos temas centrais, a formação de professores. No cenário atual, temos três novidades que precisam ser consideradas: as novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores, as mudanças na legislação sobre o Ensino Médio e a Emenda Constitucional que fixou um teto de gastos públicos. Essas novidades devem ser analisadas à luz de problemas que não são novos, como os problemas da remuneração dos professores, das condições físicas das escolas e do papel que a educação ocupa no Brasil. A discussão desse cenário precisa nos levar a problematizar o papel social da Universidade como formadora dos professores da educação básica. Essa discussão passa tanto pela forma de ensinar, pelo quê ensinar e também pelo compromisso de disponibilizar aos sistemas educacionais egressos que possam atender à necessidade de professores. Serão apresentados, entre outros, dados de uma pesquisa recente sobre as licenciaturas da UFRGS que mostra a tendência de diplomação decrescente em certos cursos, como o de Licenciatura em Filosofia.

18:45 – Minicurso

A retórica como elemento da formação docente

Edgar Lyra Neto (PUC-Rio)

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